Deficiência Visual


1. ORIENTAÇÕES PARA OS PROFESSORES

1.1. Conceituando Deficiência Visual

CEGUEIRA LEGAL:

A visão corrigida no melhor dos seus olhos for = 20/200, isto é, se puder ver a 20 pés (6 metros) o que uma pessoa de visão normal pode ver a 200 pés (60 metros), ou se, seu campo visual for = a 20 graus no melhor dos olhos, mesmo que sua acuidade visual nesse estreito campo de visão seja superior a 20/200.

PONTO DE VISTA EDUCACIONAL:

CEGOS - são aquelas pessoas que apresentam ausência total de visão, até perda da projeção de luz. O processo de aprendizagem se fará através dos sentidos remanescentes (tato, audição, olfato e paladar), utilizando o sistema Braille como principal meio de comunicação escrita.

BAIXA VISÃO - São aquelas pessoas que apresentam “desde condições de indicar projeção de luz até o grau em que a redução de acuidade interfere ou limita seu desempenho visual. Sua aprendizagem se dará através dos meios visuais, mesmo que sejam necessários recursos especiais.

CAMPO VISUAL - É toda informação visual recebida simultaneamente (180°). Pode ser comparado a um enorme círculo, que para efeito de estudos, está dividido em quatro sub-campos, ao qual se denomina quadrante, a saber:

1- quadrante naso-superior;
2- quadrante naso-inferior;
3- quadrante têmporo-superior;
4- quadrante têmporo-inferior.

ACUIDADE VISUAL - Refere-se à medida da capacidade de distinguir claramente os mínimos detalhes.

1.2. Avaliação Funcional da Visão

Pré requisito: Avaliação clínica

• Avaliação clínica (quantitativa) é realizada pelo oftalmologista.
• Avaliação funcional (qualitativa) é realizada pelo reabilitador visual.

Na avaliação funcional da visão considera-se a acuidade visual, o campo visual e o uso eficiente do potencial da visão.

A funcionalidade ou eficiência da visão é definida em termos da qualidade e do aproveitamento do potencial visual, de acordo com as condições de estimulação e de ativação das funções visuais. Esta peculiaridade explica o fato de alguns alunos com um resíduo visual equivalente apresentarem uma notável discrepância no que se refere à desenvoltura e segurança na realização de tarefas, na mobilidade e percepção de estímulos ou obstáculos. Isto significa que a evidência de graves alterações orgânicas que reduzem significativamente a acuidade e o campo visual deve ser contextualizada, considerando-se a interferência de fatores emocionais, as condições ambientais e as contingências de vida do indivíduo.

A avaliação funcional da visão revela dados quantitativos e qualitativos de observação sobre o nível da consciência visual, a recepção, assimilação, integração e elaboração dos estímulos visuais, bem como sobre o desempenho e o uso funcional do potencial da visão.

1.3. Recursos Ópticos e não Ópticos

Recursos ou auxílios ópticos são lentes de uso especial ou dispositivos formados por um conjunto de lentes, geralmente de alto poder, com o objetivo de magnificar a imagem da retina. Esses recursos são utilizados mediante prescrição e orientação oftalmológica.

É importante lembrar que a indicação de recursos ópticos depende de cada caso ou patologia. Por isso, não são todos os indivíduos com baixa visão que os utilizam. Convém lembrar também que o uso de lentes, lupas, óculos, telescópios, representa um ganho valioso em termos de qualidade, conforto e desempenho visual para perto, mas não descarta a necessidade de adaptação de material e de outros cuidados.

A utilização de recursos ópticos e não ópticos envolve o trabalho de pedagogia, de psicologia, de orientação e mobilidade e outros que se fizerem necessários. As escolhas e os níveis de adaptação desses recursos, em cada caso, devem ser definidos a partir da conciliação de inúmeros fatores.

Entre eles, destacamos: necessidades específicas, diferenças individuais, faixa etária, preferências, interesses e habilidades que vão determinar as modalidades de adaptações e as atividades mais adequadas.

Recursos ópticos para longe: telescópio - usado para leitura no quadro negro, restringem muito o campo visual; telessistemas, telelupas e lunetas.

Recursos ópticos para perto: óculos especiais, com lentes de aumento que servem para melhorar a visão de perto. (óculos bifocais, lentes esferoprismáticas, lentes monofocais esféricas, sistemas telemicroscópicos).
Lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio: úteis para ampliar o tamanho de fontes para a leitura, as dimensões de mapas, gráficos, diagramas, figuras etc. Quanto maior a ampliação do tamanho, menor o campo de visão com diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual.

Recursos não ópticos: são opções de materiais que não estão em contato direto com a retina ou outras partes dos olhos. Estes recursos existem como materiais de apoio. São eles:
Tipos ampliados: ampliação de fontes, de sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros.

Acetato amarelo: diminui a incidência de claridade sobre o papel.

Plano inclinado: carteira adaptada, com a mesa inclinada para que o aluno possa realizar as atividades com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral.

Acessórios: lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa, suporte para livros, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores.

Softwares com magnificadores de tela e Programas com síntese de voz.
Chapéus e bonés: ajudam a diminuir o reflexo da luz em sala de aula ou em ambientes externos.

1.4. Triagem Ocular

A avaliação da acuidade visual, por si só, não é fator determinante na detecção da deficiência visual; associada a ela, é de suma importância a observação dos sinais, sintomas e condutas do aluno.

No exame ocular de bebês (pelo método Teller, a partir do 1º mês de vida) e de crianças a partir de 2 anos (Teste Bust, LH, Light House) já é possível detectar a deficiência visual. Infelizmente, tais testes não se encontram disponíveis, em larga escala, no mercado nacional.

Os pais e professores de crianças de berçários, de creches, da pré-escola e de escolas do ensino fundamental, podem solicitar, em caso da presença de sintomas ou de sinais, uma avaliação funcional da visão para detecção de possíveis alterações no desenvolvimento visual.

1.5 Funções da Escola

- Aplicar testes para triagem ocular de pré-escolares para verificação da acuidade visual;
- Encaminhar a criança, com urgência, ao médico oftalmologista e ao centro especializado quando necessário;

- Proporcionar orientação quanto à higiene e à prevenção dos problemas oculares.
O método mais simples e eficaz de avaliação e de triagem de pré-escolares e de escolares é o realizado através da Escala Optométrica de Snellen ou teste do E (ganchos), que pode ser aplicado em crianças maiores de 4 anos.

O teste de Snellen não é adequado para a avaliação de acuidade visual de crianças com baixa visão, sendo aconselhável utilizá-lo apenas para triagem da população escolar.

1.6 Aplicando o teste de acuidade visual

Primeiramente, selecionar o material necessário:

• Escala optométrica de Snellen ou Light House;
• Ponteiro ou lápis preto;
• Fita métrica;
• Giz, cadeira;
• Modelo do “gancho”, confeccionado em cartolina ou papel cartão preto;
• Cartão para cobrir o olho;
• Lista nominal dos alunos para registro dos resultados.

A seguir, providenciar o local adequado para a aplicação do teste:

• Ter no mínimo 5 (cinco) metros de espaço livre;
• Ter boa iluminação, sem ofuscamento (luz deve vir de trás ou dos lados da criança que será testada);
• Sem barulho e sem estímulos que desviem a atenção do aluno.

Tomadas estas primeiras providências, procede-se da seguinte maneira:

• Colocar a tabela de modo que a linha correspondente à acuidade 1.0 fique no nível dos olhos da criança, quando sentada;
• Riscar no chão uma linha à distância de 5 (cinco) metros, para indicar onde o aluno deverá colocar-se durante a aplicação;
• Colocar uma cadeira com os pés traseiros sobre a linha riscada no chão;
• Apontar os “ganchos” de preferência, com lápis preto.

Grande parte do êxito do teste de acuidade visual depende do preparo prévio dos escolares. Para tanto, o professor deve explicar detalhadamente o que vai fazer, mostrando as diferentes posições nas quais os “ganchos” aparecem na tabela. Com auxílio do modelo, verificar se a explicação foi bem compreendida, pedindo a seu aluno que informe a posição de um dos “ganchos”.

Individualmente, explicar ao aluno, junto à tabela, o que se espera que ele faça, mostrando um ou dois “ganchos” e verificando se ele entendeu bem o que foi pedido. À distância de 5 metros, colocar o aluno sentado numa cadeira, em frente à tabela. Ensinar a cobrir um olho com o cartão, colocado obliquamente sobre o nariz, sem pressionar o globo ocular (o olho deve permanecer aberto).

Quanto à aplicação propriamente dita, são os seguintes os cuidados necessários:

• Se a criança usar óculos, testar primeiro com eles e depois sem eles;
• Testar sempre o olho direito (OD) primeiro e depois o esquerdo (OE), para evitar confusão nas anotações;
• Usar lápis preto, ou ponteiro, para indicar o sinal a ser lido;
• Começar de cima para baixo indicando dois ou três sinais de linha, sem estabelecer rotina;
• Mudar de um sinal para o outro, ritmicamente, evitando apressar o aluno, mas sem demorar demasiadamente;
• Se a criança ficar indecisa em determinada linha, indicar um número maior de sinais, para certificar se é realmente falha de visão;
• Anotar, como resultado do teste, o valor decimal correspondente à última linha em que não encontrou dificuldade, registrando separadamente os resultados de OD. e OE. Exemplo: OD. = 1,0 OE. = 0,8;
• Quando a criança não enxergar os sinais maiores – linha 0,1 – registrar “<0,1” (menor do que 0,1);
• Registrar, na coluna de observações, sinais ou sintomas percebidos durante o teste, bem como se o aluno estiver em tratamento oftalmológico;
• Encaminhar ao oftalmologista, prioritariamente, o aluno que obteve no teste resultado igual ou inferior a 0,8 em qualquer olho, ou que apresente diferença de duas linhas ou mais entre os resultados de um e de outro olho.

Antes de fazer o encaminhamento, realize o reteste, usando a mesma técnica descrita.

2. RECURSOS DIDÁTICOS NA EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM D.V.

Algumas atividades predominantemente visuais devem ser adaptadas com antecedência e outras durante a sua realização por meio de descrição, informação tátil, auditiva, olfativa e qualquer outra referência que favoreça a configuração do cenário ou do ambiente. É o caso, por exemplo, de exibição de filmes ou documentários, excursões e exposições. A apresentação de vídeo requer a descrição oral de imagens, cenas mudas e leitura de legenda simultânea, se não houver dublagem para que as lacunas sejam preenchidas com dados da realidade e não apenas com a imaginação. É recomendável apresentar um resumo ou contextualizar a atividade programada para esses alunos.

Os esquemas, símbolos e diagramas presentes nas diversas disciplinas devem ser descritos oralmente. Os desenhos, os gráficos e as ilustrações devem ser adaptados e representados em relevo. O ensino de língua estrangeira deve priorizar a conversação em detrimento de recursos didáticos visuais que devem ser explicados verbalmente.

Experimentos de ciências e biologia devem remeter ao conhecimento por meio de outros canais de coleta de informação. As atividades de educação física podem ser adaptadas com o uso de barras, cordas, bolas com guiso etc. O aluno deve ficar próximo do professor.

Os sólidos geométricos, os jogos de encaixe, os ligue-ligues e similares podem ser compartilhados com todos os alunos, sem necessidade de adaptação. Outros se tornam significativos para alunos cegos ou com baixa visão, mediante adaptações que são atraentes e eficientes também para os demais alunos. É o caso de jogos, instrumentos de medir, mapas de encaixe e diversos objetos que podem ser adaptados. Pode-se produzir uma infinidade de recursos e jogos didáticos com material de baixo custo e sucata: embalagens descartáveis, frascos, tampas de vários tamanhos, retalhos de papéis e tecidos com texturas diferentes, botões, palitos, crachás, barbantes, sementes etc.

Para promover a comunicação e o entrosamento entre todos os alunos, é indispensável que os recursos didáticos possuam estímulos visuais e táteis que atendam às diferentes condições visuais. Portanto, o material deve apresentar cores contrastantes, texturas e tamanhos adequados para que se torne útil e significativo.

A confecção de recursos didáticos para alunos cegos deve se basear em alguns critérios, muito importantes para a eficiência de sua utilização. Entre eles, destacamos a fidelidade da representação, que deve ser tão exata quanto possível em relação ao modelo original. Além disso, deve ser atraente para a visão (para os casos de baixa visão) e agradável ao tato. A adequação é outro critério a ser respeitado, considerando-se a pertinência em relação ao conteúdo e à faixa etária.

As dimensões e o tamanho devem ser observados. Objetos ou desenho em relevo, pequenos demais, não ressaltam detalhes de suas partes componentes ou se perdem com facilidade. O exagero no tamanho pode prejudicar a apresentação da totalidade, dificultando a percepção global.

A estimulação visual baseia-se na escolha adequada do material, que deve ter cores fortes ou contrastes que melhor se adaptem à limitação visual de cada aluno, e significado tátil.

O relevo deve ser facilmente percebido pelo tato e, sempre que possível, constituir-se de diferentes texturas para melhor destacar as partes componentes do todo. Contrastes do tipo liso/áspero, fino/espesso, permitem distinções adequadas. O material não deve provocar rejeição ao manuseio e ser resistente para que não se estrague com facilidade e

resista à exploração tátil e ao manuseio constante. Deve ser simples e de manuseio fácil, proporcionando uma prática utilização e não deve oferecer perigo para os alunos.
A disponibilidade de recursos que atendam, ao mesmo tempo, às diversas condições visuais dos alunos pressupõe a utilização do sistema Braille, de fontes ampliadas e de outras alternativas no processo de aprendizagem.

Modelos e Maquetes:

Nem tudo que é visto pelos olhos está ao alcance das mãos devido ao tamanho original dos objetos, da distância, da localização e da impossibilidade de tocar. Como superar essa dificuldade entre os alunos cegos e com baixa visão que têm um contato limitado com o ambiente? A utilização de maquetes e de modelos é uma boa maneira de trabalhar as noções e os conceitos relacionados aos acidentes geográficos, ao sistema planetário e aos fenômenos da natureza.

Os modelos devem ser criteriosamente escolhidos e demonstrados com explicações objetivas. Os objetos muito pequenos devem ser ampliados para que os detalhes sejam percebidos. Objetos muito grandes e intocáveis devem ser convertidos em modelos miniaturizados, por exemplo, as nuvens, as estrelas, o sol, a lua, os planetas, entre outros.

Mapas:

Os mapas políticos, hidrográficos e outros podem ser representados em relevo, utilizando-se cartolina, linha, barbante, cola, e outros materiais de diferentes texturas. A riqueza de detalhes em um mapa pode dificultar a percepção de aspectos significativos.

Soroban:

Instrumento utilizado para trabalhar cálculos e operações matemáticas; espécie de ábaco, que contém cinco contas em cada eixo e borracha compressora para deixar as contas fixas.
Livro Didático Adaptado:

Os livros didáticos são ilustrados com desenhos, gráficos, cores, diagramas, fotos e outros recursos inacessíveis para os alunos com limitação visual. A transcrição de um texto ou de um livro para o sistema Braille tem características específicas em relação ao tamanho, à paginação, à representação gráfica, aos mapas e às ilustrações, devendo ser fiel ao conteúdo e respeitar normas e critérios estabelecidos pela Comissão Brasileira do Braille.

A adaptação parcial ou integral desses livros é complexa e pode ser realizada nos Centros de Apoio Pedagógico aos Deficientes Visuais (CAPs) (que existem em várias capitais do país) ou e serviços similares, enquanto a produção em grande escala fica sob a responsabilidade das instituições especializadas em parceria com o Ministério da Educação.

Livro Acessível:

O livro acessível visa contemplar a todos os leitores. Para isso, deve ser concebido como um produto referenciado no modelo do desenho universal. Isso significa que deve ser concebido a partir de uma matriz que possibilite a produção de livros em formato digital, em áudio, em Braille e com fontes ampliadas. Esse é o livro ideal, mas ainda não disponível nas prateleiras das livrarias e das bibliotecas e se constitui como objeto de debate, que depende de regulamentação e de negociação entre o governo e os elos da cadeia produtiva do livro. Enquanto isso, surgem os primeiros livros de literatura infantil em áudio-livro ou impressos

em tinta e em Braille com desenhos em relevo ou descrição sucinta das ilustrações. Trata-se de iniciativas pontuais e isoladas que representam um grão de areia no universo da cultura e da leitura para as pessoas cegas e com baixa visão.

Recursos Tecnológicos:

Os meios informáticos facilitam as atividades de educadores e educandos porque possibilitam a comunicação, a pesquisa e o acesso ao conhecimento. Existem programas leitores de tela com síntese de voz, concebidos para usuários cegos, que possibilitam a navegação na internet, o uso do correio eletrônico, o processamento de textos, de planilhas e uma infinidade de aplicativos operados por meio de comandos de teclado que dispensam o uso do mouse. Entre os programas mais conhecidos e difundidos no Brasil, destacamos:

DOSVOX:

Sistema operacional desenvolvido pelo Núcleo de Computação eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possui um conjunto de ferramentas e aplicativos próprios além de agenda, Chat e jogos interativos. Pode ser obtido, gratuitamente, por meio de “download”, a partir do site do projeto DOSVOX: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox

VIRTUAL VISION:

É um software brasileiro desenvolvido pela Micropower, em São Paulo, concebido para operar com os utilitários e as ferramentas do ambiente Windows. É distribuído gratuitamente pela Fundação Bradesco e Banco Real para usuários cegos. No mais, é comercializado. Mais informações no site da empresa:
• http://www.micropower.com.br

JAWS:

Software desenvolvido nos Estados Unidos e mundialmente conhecido como o leitor de tela mais completo e avançado. Possui uma ampla gama de recursos e ferramentas com tradução para diversos idiomas, inclusive para o português. No Brasil, não há alternativa de subvenção ou distribuição gratuita do Jaws, que é o mais caro entre os leitores de tela existentes no momento. Outras informações sobre este software estão disponíveis em:

• http://www.lerparaver.com
• http://www.laramara.org.br

Existem, ainda, outras ferramentas que possibilitam a produção de livros em formato digital, em áudio e em Braille. É o caso, por exemplo, de scanner, de programas de reconhecimento óptico de caracteres para a digitalização de textos e programas que permitem converter o texto digitalizado em arquivo de áudio. Além disso, há programas magnificadores de tela, geralmente, conjugados com síntese de voz, desenvolvidos para quem tem baixa visão. É necessário que essas ferramentas estejam disponíveis no âmbito do sistema escolar, nos serviços e centros de apoio que visam promover a inclusão escolar e social. Os laboratórios de informática, os tele-centros e os programas de inclusão digital devem contar com meios informáticos acessíveis para pessoas cegas e com baixa visão, porque o uso de computadores e de outros recursos tecnológicos são tão fundamentais para elas quanto os olhos são para quem enxerga.

Sistema Braille:

Criado por Louis Braille, em 1825, na França, o Sistema Braille é conhecido, universalmente, como código ou meio de leitura e escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação dos pontos é obtida pela disposição de seis pontos básicos, organizados espacialmente em duas colunas verticais com três pontos à direita e três à esquerda de uma cela básica denominada cela braille.
Alfabeto Braille:

Fonte: jornalcrpd.vilabol.uol.com.br/edicao13/braille.htm
A escrita braille é realizada por meio de uma reglete e punção ou de uma máquina de escrever braille.
A reglete é uma régua de madeira, metal ou plástico com um conjunto de celas braille dispostas em linhas horizontais sobre uma base plana.

O punção é um instrumento em madeira ou plástico no formato de pera ou anatômico, com ponta metálica, utilizado para a perfuração dos pontos na cela braille. O movimento de perfuração deve ser realizado da direita para a esquerda para produzir a escrita em relevo de forma não espelhada. Já a leitura é realizada da esquerda para a direita. Esse processo de escrita tem a desvantagem de ser lento devido à perfuração de cada ponto, exige boa coordenação motora e dificulta a correção de erros.

A máquina de escrever tem seis teclas básicas correspondentes aos pontos da cela braille. O toque simultâneo de uma combinação de teclas produz os pontos que correspondem aos sinais e símbolo desejados. É um mecanismo de escrita mais rápido, prático e eficiente.
A escrita em relevo e a leitura tátil baseiam-se em componentes específicos no que diz respeito ao movimento das mãos, mudança de linha, adequação da postura e manuseio do papel. Esse processo requer o desenvolvimento de habilidades do tato que envolvem conceitos espaciais e numéricos, sensibilidade, destreza motora, coordenação bimanual, discriminação, dentre outros aspectos. Por isso, o aprendizado do sistema braille deve ser realizado em condições adequadas, de forma simultânea e complementar ao processo de alfabetização dos alunos cegos.

O domínio do alfabeto braille e de noções básicas do sistema por parte dos educadores é bastante recomendável e pode ser alcançado de forma simples e rápida, uma vez que a leitura será visual. Os profissionais da escola podem aprender individualmente ou em grupo, por meio de cursos, oficinas ou outras alternativas disponíveis.
Atividades da Vida Diária - AVD
É um conjunto de atividades que visam o desenvolvimento pessoal e social nos múltiplos afazeres do cotidiano, tendo em vista a independência, a autonomia e a convivência social do educando com deficiência visual.

A AVD proporciona oportunidades educativas funcionais que habilitam o aluno com deficiência visual a desenvolver, de forma independente, seu auto-cuidado e demais tarefas no ambiente doméstico, promovendo seu bem-estar social, na escola e na comunidade.
A criança DV precisa aprender as atividades rotineiras que lhe são importantes para a independência pessoal. Saber comer, atender a sua higiene corporal, pentear-se, cuidar de objetos, dentre outras habilidades, constituem uma série de árduas, mas necessárias aprendizagens, para que ela possa adquirir sentido de valia pessoal. Somente adquirindo confiança em habilidades simples, ela poderá empreender outras mais difíceis e que exijam maior esforço.

Orientação e Mobilidade

ORIENTAÇÃO - Habilidade do indivíduo para perceber o ambiente que o cerca, estabelecendo as relações corporais, espaciais e temporais com esse ambiente através dos sentidos remanescentes.

MOBILIDADE - Capacidade ou estado inato do indivíduo de se mover, reagindo a estímulos internos ou externos em equilíbrio estático ou dinâmico.

O programa de OM é totalmente individualizado, elaborado a partir de um estudo do caso nos aspectos bio-psico-social, testes e avaliação das condições sensório-motoras, experiência de vida, necessidades e interesses da pessoa.

Propicia condições para que a pessoa com deficiência visual possa desenvolver sua capacidade de se orientar e se movimentar com independência, segurança, eficiência e adequação, de acordo com o seu potencial biopsicosocial, nas mais diversas situações e ambientes, utilizando-se, para isto, de técnicas específicas, adquiridas por meio da aprendizagem e aplicação em vivências contextualizadas, colaborando, consequentemente, para sua real integração na sociedade.

3. ORIENTAÇÕES GERAIS PARA A INTEGRAÇÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA VISUAL

Abaixo estão descritas orientações que contribuem muito com os processos de adaptação e desenvolvimento da pessoa com baixa visão, ou ainda, com cegueira:
• O aluno deve desenvolver boa orientação e mobilidade, explorar todo o ambiente que frequenta, observar barreiras arquitetônicas, tais como: desníveis no piso, escadas perigosas, piso com buraco.

• O aluno deverá ser avisado de alterações no ambiente, principalmente, deslocamento de móveis.
• Apresentar o aluno às pessoas que trabalham na escola e aos alunos para que faça amizades e se sinta bem aceito.
• Ao receber o aluno com DV, a equipe escolar deverá buscar informações e orientações sobre o aluno, junto aos familiares, laudos médicos, e centros especializados.
• Encaminhar o aluno para o AEE, nas salas de recursos ou nos centros especializados.

REFERÊNCIAS:

BARRAGA, Natalie. Programa para desenvolver a eficiência visual. Trad. Fundação para o livro do Cego no Brasil. SP, 1983.

BRASIL.MEC/SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008.

BRASIL. MEC/SEESP. Atendimento Educacional Especializado. Formação de Professores, 2008.

BRUNO, M. M. G.; MOTA, M. G. B. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental: deficiência visual. V.1 Brasília: MEC, Secretaria de Educação Especial, 2001. (Séries Atualidades Pedagógicas).

CASTRO, Danilo D. Monteiro de. Visão Subnormal. Rio de Janeiro: Editora Cultura Médica, 1994.

FELIPPE. João Álvaro de M. Caminhando Juntos: Manual das Habilidades Básicas de Orientação e Mobilidade. Brasília: MEC, SEESP, 2003.

GASPARETTO, Maria Elisabete R. F.; KARA-JOSÉ, Newton. Entendendo Baixa Visão. Orientação aos Pais. Pnabv – Projeto Nacional para Alunos com Baixa Visão, MEC – Secretaria de Educação Especial, Brasília/DF, 2000.

HADDAD, M. Aparecida O.; KARA-JOSÈ, Newton; SAMPAIO, M. Baixa visão na infância. Manual básico para oftalmologistas. Laramara. S. Paulo.
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